Informação não é conhecimento, e vice-versa

Ricardo Alexandre (e-mail) é Matemático e Professor de Informática básica e avançada. Também desenvolve em Visual Basic.

Dentro dos corredores dessa feira moderna em que vivemos, onde o produto da moda é a informação, faz-se necessário estar atento aos males causados por tanta porcaria em forma de conteúdo que está sendo ofertada no ambiente digital e nos faz perder tempo precioso do dia. A começar por ter que ficar limpando a toda hora a caixa de e-mails de baboseiras sem fim nem tamanho. Quer dizer, algumas delas têm um tamanho tão grande que até nisso elas dificultam nossas vidas. Caso daqueles powerpoints de infinitos cliques, que não dizem nada, e ficam tocando umas musiquetas chatas que só elas. Para excluí-los é um custo. Até aí tudo bem.

E quando as mensagens estão disfarçadas de algo muito interessante? Quando você vai ver é um texto sobre pessoas das menos às mais conhecidas que viram ‘notícia’ por nada – considero nada, por exemplo, essas brigas de casal ‘famoso’. Pra que eu preciso saber que ‘fulano de tal’, que nem sabe que eu existo, não está mais com ‘cicrana de tal’, que por sua vez, nunca me viu mais magro? Sinceramente não preciso. Então, delete! Declarações pífias que viram ‘notícia’. Delete! Qualquer acontecimento banal que vira ‘notícia’. Delete! Enfim, tudo que virou notícia rasa o negócio é sair apertando o delete! É agora ou nunca o momento de impor nossos próprios filtros e fazer cada vez mais uso desse botão que dará início na erradicação do problema. Exerça seu poder de escolha e jogue fora tudo o que não acumular contribuições positivas na sua bagagem.

Com o advento tecnológico qualquer infeliz que tenha um celular na mão pode sair por aí filmando e clicando tudo o que tem e não tem direito. E publicando (ou ‘postando’) em segundos, tudo o que quiser sem o menor comprometimento com valores éticos ou morais. Cicarelli que o diga! Seja em blogs ou em meios digitais alternativos, o fato é que o papel da mídia acabou por perder, de certa forma, sua importância. Sites e revistas de grandes empresas de comunicação já incentivam o hábito da ‘contribuição’ de textos, fotos e matérias às redações. Resguardados os cuidados pode ser um movimento interessante. Mas direta ou indiretamente implica na ocupação do espaço inerente ao profissional de comunicação por aqueles que não tem faculdades para tal. Não pretendo entrar, pelo menos por hora, nessa seara porque isso é motivo de outra discussão.

Tratando-se de informação de qualidade, um motivo para ficar tranqüilo é que a imprensa brasileira é forte e conseguiu constituir seu prestígio e credibilidade ao longo de quase dois séculos de história. Por aqui ela tem exercido nos últimos tempos, principalmente, um papel decisivo e importante na defesa dos interesses sociais. Temos veículos sérios e comprometidos com a informação que realmente importa estar na primeira página do jornal, nas editorias ou nas nossas caixas de e-mail. Que respeitam suas fontes, que apuram o fato do início ao fim. Este processo de abertura de novos canais, é verdade, está longe de comprometê-la, mas de certa forma turva sua imagem.

Por outro lado é inegável que o processo midiático está se transformando e deve acompanhar as novas tendências, ser contemporâneo, evoluir. Tudo bem, mas onde estão os critérios para que estejam no ar formatos de mídia cada vez mais abertos e pulverizados? No bom português, leis que realmente funcionem em favor da privacidade e do direito da pessoa no ambiente digital.

O preocupante é que a sociedade em geral está tomada pelo consumo imediato, pela rapidez avassaladora, absorvendo tudo o que é perecível, descartável. Isto quer dizer que opinião, mais do que uma forma de expressar idéias, é o que você desenvolve com as experiências acumuladas daquilo que vê, lê ou escuta. Então, é simples como dois mais dois: se você vê, lê ou escuta o que não presta, qual será o seu nível de diálogo?

Não basta ser informado, mais do que isso, é preciso ser bem-informado e interpretar tudo o que chega até você a fim de que consiga transformar informação, verdadeiramente, no que mais importa e vai estar presente para o resto da sua vida, conhecimento. E lembre-se: se não valer à pena, delete!

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